Hellen souza, da redação

 

 

À medida que as águas baixam, as recentes inundações no Rio Grande do Sul, passam a dividir espaço com outros assuntos no noticiário geral, mas as consequências das cheias serão sentidas pelos próximos anos e a reconstrução será constituída por várias e distintas etapas.

 

Uma delas é o gerenciamento dos resíduos resultantes das enchentes. Toneladas de produtos duráveis como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e automóveis empilhados e contaminados pelas águas precisarão ser desmontados, triados e tratados, de modo a permitir a recuperação sustentável das áreas afetadas.

 

Três instituições se uniram recentemente para equacionar o problema e buscar parceiros especialistas no gerenciamento desses resíduos, dentre os quais podem estar empresas recicladoras de materiais plásticos que desenvolveram conhecimento sobre a recuperação de filmes plásticos contaminados, espumas e poliestireno expandido (EPS), por exemplo.

 

As instituições envolvidas são a SOS RS, iniciativa do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; o Pacto Alegre, que promove a realização de projetos para a cidade de Porto Alegre, e a 4 Hábitos, que tem como objetivo zerar a destinação de lixo para aterros.

 

Ana Arsky, CEO da 4 Hábitos, explicou que o propósito e o desafio das instituições envolvidas é promover a limpeza das casas e dos locais públicos de forma sustentável, pensando em como destinar e aproveitar os resíduos. “Calcula-se que o volume de veículos sucateados é 10 vezes maior do que o volume total descartado no Brasil inteiro no período de um ano”, comentou Ana, enfatizando a necessidade de uma solução que envolva a melhor destinação possível para eles. Placas solares conectadas precisarão ter os seus riscos elétricos avaliados, assim como postos de gasolina e tantas outras instalações que, mesmo após o escoamento das águas, requerem cuidados especiais.

 

Assim, o grupo está reunindo voluntários para mapear as ações envolvendo a recuperação e descontaminação de materiais como plásticos, metais e madeira, assim como planejar a mitigação dos riscos decorrentes das mudanças climáticas.

 

Em busca de especialistas

 

A iniciativa já conseguiu reunir cerca de 10 mil voluntários para auxiliar com orientações a respeito da triagem de materiais, ajuda na limpeza, catalogação de resíduos, entre outras atividades. Há espaço, porém, para pessoas e empresas que tenham experiência na transformação de resíduos em materiais para a construção civil, por exemplo.

Profissionais e empresas que possuam conhecimento sobre como recuperar materiais a partir de fios e cabos; entulho; espelhos e vidros; estofados contaminados (espumas); EPS (isopor) contaminado de alimentos; itens plásticos; papel e papelão; material cerâmico; mobiliário; pisos e revestimentos em geral; sucata de ferro; tecidos e outros produtos podem preencher um formulário disponível no link
https://bit.ly/valorizacao_residuo1. Representantes da iniciativa retornam o contato em, no máximo, 24 horas.

 

Empresas que disponham de equipamentos ociosos e queiram cedê-los em comodato também podem entrar em contato pelo mesmo link. A cessão de equipamentos para diferentes localidades poderá descentralizar e acelerar o processamento dos resíduos.

Também participam da iniciativa as instituições Hélice Consultoria, da UFRGS; Meu lar de volta e POA Sem Lixo, criada no âmbito do Pacto Alegre.
 

Ana Arsky vai participar como palestrante do XII Seminário Reciclagem e Valorização de Resíduos Sólidos, que acontece em São Paulo, no próximo dia 13 de junho.

 

 

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Imagem: Vistoria na cidade de Lajeado (RS). Divulgação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental/RS (Fepam)

 

 

 

Leia também:

 

Os impactos da situação no Rio Grande do Sul na cadeia do plástico

 

Coleta de resíduos plásticos avança no Sul do Brasil



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