O mercado do hidrogênio produzido com baixa emissão de carbono – também chamado de hidrogênio verde – está em pleno desenvolvimento e tem ligações estruturais com a indústria metalmecânica, que tanto pode atuar no fornecimento dos equipamentos e instalações necessárias quanto pode usufruir dessa fonte de energia em seus processos.

 

A Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Lei nº 14.948/2024), sancionada recentemente, promete transformar o cenário energético brasileiro ao incentivar a produção e o uso de hidrogênio com baixa emissão de carbono. O texto prevê uma série de benefícios tributários e financeiros que visam atrair investimentos e fomentar a inovação no setor.

 

Um recente estudo da CNI, divulgado no final de agosto, mapeia o mercado de hidrogênio verde e identifica os principais projetos em 13 estados do País, os quais deverão movimentar cifras próximas de R$ 188 bilhões. Dentre eles está o hub de hidrogênio de Pecém (foto).

 

Denominado “Hidrogênio Sustentável: Perspectivas para o Desenvolvimento e Potencial para a Indústria Brasileira”, o estudo mostra como o baixo custo e boa oferta de geração de energia elétrica renovável colocam o País em condição de vantagem competitiva. Por essa razão, existe a expectativa que o Brasil produza hidrogênio com um dos menores custos do mundo em 2030.

 

“A CNI tem um papel catalisador no engajamento do setor industrial nesse processo. Por meio do Comitê da Indústria para o Hidrogênio Sustentável, atuamos em parceria com empresas e stakeholders para difundir conhecimento, monitorar e debater as políticas públicas. Uma das principais iniciativas foi a criação da Plataforma da Indústria para o Hidrogênio Sustentável, que permite acompanhar as iniciativas empresariais e de política pública na área do hidrogênio sustentável”, informou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

 

O hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis ou de fontes fósseis associadas à captura e estocagem do dióxido de carbono (CO2) tem sido visto como uma estratégia para a descarbonização dos segmentos industriais cujos processos implicam o uso de calor em alta temperatura, tais como a metalurgia e a siderurgia, assim como vidro, química e fertilizantes.

 

A indústria como base

 

A participação da indústria brasileira no sentido de viabilizar a execução dos parques e o funcionamento dos hubs de hidrogênio não é objeto do estudo, mas sabe-se que fabricantes do setor metalmecânico podem atuar fortemente no fornecimento dos itens necessários à instalação das centrais de geração, a exemplo de células eletrolíticas, vasos de pressão e tubulações resistentes à corrosão.

 

A construção dos compressores de hidrogênio envolve a fabricação de pistões, cilindros, sistemas de resfriamento, enquanto o armazenamento demanda a construção de tanques de alta resistência, feitos de materiais como aço inoxidável ou ligas metálicas avançadas.

 

Os trocadores de calor necessários incluem placas de metal, serpentinas e sistemas de ventilação, enquanto o sistema de apoio promete intensificar o uso de estruturas metálicas que suportam painéis solares, turbinas eólicas e outros componentes de geração de energia, fundamentais para a produção de hidrogênio verde.

 

A indústria metalmecânica produz ainda as válvulas de alta pressão e as conexões necessárias ao controle de fluxo nessa indústria, além de sensores de gás, sistemas de supressão de incêndio e válvulas de alívio de pressão empregadas nos sistemas de segurança dessas plantas.

 

Os principais hubs de hidrogênio verde

 

Diversos portos brasileiros estão desenvolvendo projetos para se posicionar como hubs de hidrogênio de baixo carbono. Esses centros geográficos envolvem uma cadeia de atividades de produção, transporte, entrega e uso final dessa fonte de energia. Dentre eles, o Porto de Pecém (CE) se destaca como destino de cerca de R$ 110,6 bilhões em investimentos.

 

O hub do Ceará foi lançado em fevereiro de 2021 pelo governo do estado, em parceria com Federação das Indústrias do Ceará (FIEC), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Complexo do Pecém (CIPP S/A). De lá para cá, foram assinados 34 memorandos de entendimento que evoluíram para quatro pré-contratos com empresas nacionais e internacionais, de acordo com a CNI. O levantamento destaca também os portos de Parnaíba (PI) com R$ 20,4 bilhões; Suape (PE) com R$ 19,6 bilhões; e Açu (RJ) com R$ 16,5 bilhões.


O relatório da CNI inclui muitos dados sobre a demanda mundial e a forma como os diversos países estão organizando este mercado, com a menção de empresas envolvidas nos projetos. Planos e rotas de produção, diferentes tecnologias de armazenamento, custos e as perspectivas para diferentes setores industriais são outros assuntos tratados . O estudo completo está disponível para download aqui.

 

Imagem: CNI

 

 

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