Um novo estudo da consultoria nacional Thymos, especializada no setor de energia, estima que os investimentos em infraestrutura de TI projetados para o mercado de data centers no Brasil devem oscilar entre R$ 59 bilhões e R$ 62 bilhões até 2030.

Para chegar a essa conclusão, os analistas da Thymos tomaram como base projeção de crescimento do consumo de energia no mundo, em um cenário utilizado pela Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) que considera o futuro da energia global com base em políticas já anunciadas ou implementadas pelos governos.

Dentro dessa projeção, a demanda total de eletricidade entre todos os setores (principalmente indústria, veículos elétricos, refrigeração, aquecimento) deve crescer por volta de 6760 TWh no mundo até 2030, sendo 80% do crescimento concentrado em países em desenvolvimento e economias emergentes.

Nesse cenário de acréscimo de consumo, os data centers responderiam por cerca de 10% da demanda total a mais, ou cerca de 676 TWh. Trata-se de praticamente o dobro da última média disponível de consumo de eletricidade do setor (excluindo atividades de mineração de criptomoedas), que segundo a IEA consumiu em 2022 uma faixa estimada entre 240 e 340 TWh (equivalente a 1% a 1,3% do consumo global).

Para a consultoria, o crescimento substancial do consumo de energia em data centers é inevitável, principalmente por conta do crescimento da IA - Inteligência Artificial. A análise cita, como exemplo, que o setor de venture capital investiu US$ 225 bilhões em startups de IA nos últimos cinco anos, número superior aos US$ 143 bilhões investidos no mesmo período por startups que atuam em tecnologias de baixa emissão de carbono.

Apesar do cenário de crescimento global, e de considerar o Brasil como candidato forte a se tornar um hub de data centers, o estudo chama a atenção para a necessidade de o país tomar atitudes para melhorar o ambiente de negócios. Para começar, há o conselho para que o governo federal crie procedimentos especiais de planejamento e de conexão à rede de energia para os novos empreendimentos.

Outra recomendação é o país instituir zonas francas para a instalação das centrais, aos moldes das atuais ZPEs - Zonas de Processamento de Exportações. Dentro delas, os empreendimentos se beneficiariam com a redução de impostos sobre importações e vendas de equipamentos. As isenções fiscais também deveriam ir além dessas zonas com tratamento diferenciado, para facilitar compras de equipamentos, como computadores e componentes elétricos, e deveriam incluir também incentivos para o consumo de energia.

Ainda seria uma vantagem competitiva, para a Thymos, o país adotar política pública para reduzir custos de construção e operação dos data centers, incluindo infraestrutura física, energia, hardware, refrigeração, software, conectividade e segurança. Da mesma forma, o estudo considera importante identificar gargalos na mão de obra especializada para desenvolver programas ou parcerias com programas existentes, como o Brasil Mais TI e o MCTI Futuro.



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