Os investimentos na produção das tecnologias-chave da energia limpa ― solar fotovoltaica, eólicas, baterias, eletrolisadores e bombas de calor ― tiveram aumento superior a 70% em 2023, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). De acordo com o estudo inédito, intitulado Advancing Clean Technology Manufacturing, o mercado atingiu no ano passado US$ 200 bilhões, contra US$ 115 bilhões de 2022.

Os destaques entre as tecnologias, porém, foram a solar fotovoltaica, cujos recursos financeiros para produção de módulos e demais componentes mais do que dobraram em 2023, seguida pelas baterias, que tiveram crescimento de 60%. Juntas, as duas soluções representaram 95% do total investido.

A China respondeu por três quartos do investimento nas tecnologias, ante 85% em 2022. Isso porque Estados Unidos e União Europeia fizeram avanços significativos, com participação combinada de 16% em 2023, contra 11% no ano anterior. Índia, Japão, Coreia e Sudeste Asiático compuseram o restante dos aportes. Já África e Américas Central e do Sul, segundo o relatório, praticamente não registraram investimento em manufatura das tecnologias analisadas.

Para o estudo, há três sinais reveladores do impulso contínuo dos investimentos. O primeiro é a concentração de quase 40% do total investido para instalações que entrarão em operação em 2024, sendo que apenas no segmento de baterias aproximadamente 70% da produção se destina a sistemas com partida programada para este ano.

O segundo tem a ver com o fato de 85% dos projetos de usinas solares e um terço dos sistemas de baterias comprometidos estarem programados para 2025. Nesse caso, apenas essas instalações, combinadas com as já instaladas, devem produzir cerca de 150% (energia solar fotovoltaica) e 55% (baterias) referentes aos níveis de implantação global em 2030, previstos no Cenário de Emissões Líquidas Zero até 2050 (Cenário NZE) da IEA.

Já o terceiro sinal se refere à parte da capacidade programada para entrar em operação até o final da década, os quais já evidenciam comprometimento financeiro detectado pela análise da agência. "A produção recorde de usinas solares fotovoltaicas e de baterias está impulsionando transições de energia limpa ― e o forte pipeline de investimentos em novas instalações e expansões de fábricas deve adicionar mais impulso nos próximos anos", disse o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

Embora a China abrigue atualmente mais de 80% da capacidade global de fabricação de módulos solares fotovoltaicos, o relatório conclui que a fabricação de células de bateria pode se tornar menos concentrada geograficamente até o final desta década. Se todos os projetos anunciados forem realizados, a Europa e os Estados Unidos poderão atingir cada um cerca de 15% da capacidade instalada global até 2030.

Apesar disso, o relatório aponta que a China continua sendo o produtor com menor custo de todas as tecnologias de energia limpa. As instalações de fabricação de baterias, eólicas e solares fotovoltaicas são 20% a 30% mais caras de construir na Índia do que na China, e 70% a 130% mais caras nos Estados Unidos e na Europa. Mas, segundo a agência, a maior parte dos custos totais de produção das tecnologias, entre 70% e 98%, tem origem nos custos operacionais, o que permite concluir que o cenário pode ser minimizado no longo prazo por políticas nacionais de incentivos.

Para baixar o relatório: https://www.iea.org/reports/advancing-clean-technology-manufacturing .



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